Foto: Divulgação

A ocorrência de escorpiões e a incidência de picadas de pessoas Umuarama são monitoradas pela Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa) desde o início do ano. O setor de animais sinantrópicos, venenosos e peçonhentos (ASVP) segue rotinas preconizadas pelo Ministério da Saúde e realiza visitas residenciais e em terrenos, quando são notificados acidentes ou por solicitação da população, mapeamento e identificação de áreas prioritárias e medidas de controle e manejo populacional de escorpiões, baseadas na coleta dos animais. Já foram capturados 85 espécimes.

“Outra forma de ação é modificar as condições do ambiente, a fim de torná-lo desfavorável à ocorrência, permanência e proliferação destes animais”, explica o diretor da Covisa, Flávio Posseti. Ele informa que foi identificada em Umuarama a presença da espécie Bothriurus – o escorpião preto, de jardim – que não oferece risco grave à saúde humana. “Porém, também encontramos áreas da cidade com escorpiões amarelos, do gênero Tityus, que oferece risco à saúde e exigem medidas mais sérias da Vigilância Ambiental”, explicou.

A região da Praça Anchieta e parte do alto São Francisco apresentam presença do Tityus stigmurus, que possui tronco amarelo-escuro, triângulo negro no cefalotórax, faixa escura longitudinal mediana e manchas laterais escuras, com comprimento de 6 cm a 7 cm. Outras três áreas (Parque Jabuticabeiras, Zona 3 – Avenida Rolândia, próximo ao campus-sede da Unipar – e rodovia PR-489, entre o Conjunto Ouro Branco e o Sonho Meu), monitoradas desde o início do ano, apresentam presença do Tityus serrulatus (de tronco marrom-escuro; pedipalpos, patas e a cauda amarelados, serrilha dorsal e uma mancha escura no lado ventral da vesícula, medindo até 7 cm).

O controle populacional desses animais depende da limpeza e exige dedicação da população. “Os escorpiões necessita dos quatro ‘As’ para sobreviver e proliferar – acesso a abrigo, alimentação e água. Por isso, orientações técnicas da Vigilância acatadas pela população surtem bons resultados – ao contrário do controle químico (veneno), que não funciona com esses animais”, explica Posseti.

Com o hábito de se abrigarem em frestas de paredes, embaixo de caixas, papelões, pilhas de tijolos, telhas, madeiras, em fendas e rachaduras do solo, além da capacidade de permanecer semanas, até meses sem se movimentar, torna o tratamento químico ineficaz. Já a limpeza dos terrenos é fundamental para eliminar os focos.

Madeira empilhada, lajotas e outros materiais atraem insetos da cadeia alimentar do escorpião, como a barata. Isso vai mantê-los neste ecossistema. “Não recomendamos a aplicação de produtos químicos de higienização compostos por formaldeídos, cresóis, clorobenzenos, nem de inseticidas, raticidas, mata-baratas ou repelentes do grupo dos piretróides e organofosforados. Isso vai afugentar os escorpiões dos esconderijos e eles podem procurar locais não expostos à ação desses produtos, aumentando o risco de acidentes”, orienta.

RECOMENDAÇÕES

A ocorrência de escorpiões de coloração amarelada deve ser notificada imediatamente à Vigilância em Saúde – pelo fone (44) 3906-1145 – para que as medidas de controle sejam efetivas. A equipe de técnicos da ASVP, formada pelo biólogo José Gilberto Aguiar, farmacêutico Flávio Posseti e o agrônomo Wesley Secundini, atua no monitoramento e recolhimento de animais, nas áreas informadas pela população.

Até agora foram recolhidos 85 escorpiões, entre os quais cerca de 30 das espécies Tityus stigmurus e serrulatus (ambos de colocação amarelada). Os demais, Bothriurus (pretos), foram capturados e reintroduzidos em mata nativa, já que são nativos e não representam riscos à saúde. “Nosso município apresenta dois acidentes notificados, ambos considerados leves e investigados, sem agravamento do caso”, completa Posseti. Uma mulher foi picada nas imediações do Ouro Branco, mas foi tratada e passa bem.

– Cuidados que devem ser tomados pela população, para evitar acidentes com escorpiões

Na área externa do domicílio

• Manter limpos quintais e jardins. Não acumular folhas secas e lixo domiciliar

• Acondicionar lixo em sacos plásticos ou outros recipientes apropriados e fechados e entregá-lo para a coleta

• Não jogar lixo em terrenos baldios

• Limpar uma faixa de dois metros (aceiro) em terrenos baldios nas redondezas dos imóveis

• Eliminar fontes de alimento para os escorpiões (baratas, aranhas, grilos e pequenos animais invertebrados)

• Evitar a formação de ambientes favoráveis ao abrigo de escorpiões, como obras de construção civil e terraplenagens que possam deixar entulho, superfícies sem revestimento, umidade etc.

• Remover periodicamente materiais de construção e lenha armazenados, evitando o acúmulo exagerado

• Preservar os inimigos naturais dos escorpiões (aves de hábitos noturnos como corujas, joão-bobo, etc.), pequenos macacos, quati, lagartos, sapos e gansos

• Evitar queimadas em terrenos baldios, pois desalojam os escorpiões

• Remover folhagens, arbustos e trepadeiras junto às paredes externas e muros

• Manter fossas sépticas bem vedadas, para evitar a passagem de baratas e escorpiões

• Rebocar paredes externas e muros para que não apresentem vãos ou frestas

Na área interna

• Rebocar paredes para que não apresentem vãos ou frestas

• Vedar soleiras de portas com rolos de areia ou rodos de borracha

• Reparar rodapés soltos e colocar telas nas janelas

• Telar as aberturas dos ralos, pias ou tanques

• Telar aberturas de ventilação de porões e manter assoalhos calafetados

• Manter todos os pontos de energia e telefone devidamente vedados

Na ocorrência de acidente, limpar o local da picada com água e sabão e procurar orientação médica imediata mais próxima (UBS, posto de saúde, hospital de referência), acionando o Samu pelo 192. A vítima deve ser levada o serviço de saúde do SUS com urgência. Se for possível, capturar com todo cuidado o animal e levá-lo para a equipe que prestará assistência.

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