Laís foi atacada dentro da viatura (Foto: Facebook)

Os dois policiais militares que estavam no carro da PM onde uma mulher foi atacada e morta pelo ex-companheiro vão responder por homicídio culposo – quando não há a intenção de matar – , negligência e omissão. Eles também foram afastados de suas funções nesta segunda (9).

O crime aconteceu no sábado (7) quando o casal era levado, dentro do mesmo carro, de Pavão (MG) para a delegacia de Teófilo Otoni (MG). Ela iria registrar uma queixa contra o ex após descobrir que o homem havia instalado uma câmera dentro do banheiro da casa dela. Com uma faca que levava escondido no tênis, o homem atingiu o pescoço de Lais Andrade, que morreu na hora. Ele foi preso.

Segundo o comando do 19º Batalhão da Polícia Militar, além de serem afastados, os PMs também vão responder a processos de caráter administrativo e penal.

O comandante da Polícia Militar de Teófilo Otoni (MG), tenente coronel Fábio Marinho dos Santos, deu detalhes dos procedimentos que foram tomados depois do homicídio registrado dentro da viatura.

“Eu considerei a situação como crime militar, e imediatamente os dois foram presos em flagrante por homicídio culposo e comuniquei a situação à Justiça militar. No domingo, a Justiça Militar concedeu alvará de soltura, dando aos militares o direito de responder ao processo penal em liberdade”.

Ainda segundo o comandante, os militares vão responder um processo administrativo, e estão afastados por oito dias das funções operacionais para acompanhamento psicológico. Medidas disciplinares também vão ser tomadas no âmbito da Polícia Militar.

“Eles vão responder por negligência e omissão. Negligência por não cumprirem os procedimentos padrões na revista do conduzido. E omissão por permitirem que a vítima e denunciado fossem levados no mesmo compartimento da viatura”, esclareceu.

O corpo de Laís Andrade foi enterrado neste domingo (8) em Pavão (MG). O ex-companheiro permanece preso no presídio de Teófilo Otoni (MG).

Entenda o caso

A atendente Laís Andrade, de 30 anos, foi assassinada pelo ex-companheiro dentro de uma viatura da Polícia Militar na noite de sábado (7). O casal era levado de Pavão (MG) para a delegacia de Teófilo Otoni (MG) quando o crime aconteceu. Os dois eram conduzidos após uma denúncia de Laís Andrade, que descobriu que o homem tinha instalado uma câmera dentro do banheiro da casa dela.

Quase ao fim do trajeto – de aproximadamente 96 quilômetros – o homem, de 34 anos, atacou a mulher com uma faca, depois golpeou o próprio pescoço e saltou da viatura. Ele foi capturado e preso, já a atendente não resistiu aos ferimentos e morreu ainda dentro do veículo.

Os militares começaram a acompanhar o caso depois que a atendente chegou ao quartel da PM, em Pavão (MG), para registrar a denúncia. Ela descobriu que a câmera estava instalada no banheiro da casa e que as imagens eram gravadas em tempo real na CPU de um computador, localizada na laje do imóvel.

A mulher temia que o homem pudesse divulgar as imagens dela e, principalmente, do filho, de 8 anos, que usa com frequência o banheiro. Os equipamentos foram entregues aos militares.

Ao ser questionado, o homem disse que instalou os aparelhos porque desconfiava que a mulher estaria em um novo relacionamento.

Segundo a Polícia Militar, ao finalizar o boletim de ocorrência, a vítima não teria manifestado interesse em fazer uma representação criminal contra o companheiro, mas mudou de ideia. De acordo com a PM, isso aconteceu após uma orientação do delegado de plantão em Teófilo Otoni de levar o casal e os equipamentos eletrônicos para a delegacia.

Ainda segundo os militares, o casal foi colocado no banco traseiro da viatura e dormiu na maior parte da viagem. Ao chegar no perímetro urbano de Teófilo Otoni, ainda na BR-116, os policiais foram surpreendidos com o ataque. O homem deu uma facada no pescoço da mulher, depois esfaqueou o próprio corpo e pulou da viatura em movimento. Ele foi detido e, após ser atendido por uma equipe do SAMU, foi encaminhado ao presídio. Já a mulher morreu antes de receber os atendimentos médicos.

Fonte: G1

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