Condenado a 26 penas de prisão perpétua, ele era suspeito de matar mais de 150 pessoas. Riina estava em coma induzido há vários dias.

Toto Riina, ex-chefe da máfia siciliana e suspeito de matar mais de 150 pessoas. (Foto: Reprodução/Twitter/@AdnKronos)

Salvatore Riina, o ex-poderoso chefão da máfia siciliana e um dos homens mais temidos da Itália, morreu em consequência de um câncer nesta sexta-feira (17). Sua morte foi confirmada pelo Ministério da Justiça italiano.

O “chefe dos chefes”, de 87 anos, condenado a 26 penas de prisão perpétua e suspeito de matar mais de 150 pessoas, estava em coma induzido havia vários dias, depois de duas cirurgias que agravaram seu estado de saúde.

Também conhecido como Toto Riina, o mafioso faleceu na unidade carcerária do hospital de Parma, no norte da Itália.

Ficha criminal do ‘chefão da máfia’ Salvatore Riina (Foto: Juliane Monteiro/G1 )

Um dia depois do aniversário

Nesta quinta-feira (17), véspera de sua morte e dia de seu aniversário, Riina recebeu a visita da mulher e de três dos quatro filhos, autorizada pelo ministério italiano da Saúde. O filho mais velho do mafioso, Giuseppe Salvatore, cumpre pena de prisão perpétua por quatro assassinatos.

“Não é Toto Riina para mim, você é apenas meu pai. E te desejo um feliz aniversário, papai, neste dia triste mas importante. Te amo”, escreveu seu outro filho, Salvatore, no Facebook nesta quinta.

De acordo com o arcebispo de Monreale, que também responde por Corleone, Riina não poderá ter um funeral público, porque era um “pecador”.

“Se a família pedir, podemos considerar uma oração privada no cemitério”, explicou o arcebispo Michele Pennisi em um e-mail à Associted Press. Ainda não se sabe, no entanto, se o corpo de Riina será levado para Corleone.

Sem arrependimento

Riina havia solicitado a libertação em julho, alegando uma doença grave, mas o pedido foi rejeitado depois que um tribunal determinou que o atendimento médico na prisão era tão adequado quando o que receberia fora do sistema penitenciário.

Os médicos afirmaram na ocasião que Riina estava “lúcido”. Em uma conversa interceptada há alguns meses, o ex-poderoso chefão afirmou que “não se arrependia de nada”. “Nunca poderão lidar comigo, mesmo que me condenem a 3 mil anos de prisão”, disse.

Foto de 16 de janeiro de 1996 mostra o ‘chefe dos chefes’ da máfia siciliana, Toto Riina, sendo escoltado até o tribunal em Bolonha, na Itália. (Foto: Gianni Schicchi/ AP)

Camponês que virou líder da Cosa Nostra

Salvatore Riina nasceu em 16 de novembro de 1930, em Corleone, perto de Palermo, capital da Sicília, em uma família de camponeses pobres. Com apenas 18 anos entrou para a máfia.

A cidade natal de Riina se tornou famosa por ser o local onde Vito Corleone, protagonista do romance ficcional “O poderoso chefão”, nasceu.

Depois de uma primeira passagem pela prisão por assassinato, Riina, soldado fiel do líder mafioso Luciano Liggio desde os anos 1950, avançou na organização até substituir o chefe em 1974.

Em 1969, a Justiça emitiu a primeira ordem de prisão contra ele, mas Riina conseguiu viver na clandestinidade durante quase 25 anos – período em que, provavelmente, nunca saiu da Sicília.

Riina, à frente do clã dos Corleone, se apoderou de todas as atividades rentáveis da máfia, do tráfico de drogas aos sequestros, passando pela extorsão, após uma guerra nos anos 1980 que deixou centenas de mortos entre as “famílias palermitanas”.

Depois de vencer a guerra em 1982, Riina assumiu o poder total e virou o chefe da “Cúpula” (o Executivo da Cosa Nostra), e iniciou uma campanha de violência contra os representantes do Estado.

Foto mostra carro-bomba que matou Paolo Borsellino e seus guarda-costas na década de 1990. (Foto: Arquivo/ AP )

Ele ordenou os assassinatos dos juízes de combate à máfia Giovanni Falcone (1992) e Paolo Borsellino (1993), que tinham trabalhado sem trégua para levar mais de 300 mafiosos a julgamento em 1987.

Também foi um dos cérebros dos atentados que deixaram 10 mortos em Roma, Milão e Florença em 1993. “Que Deus o perdoe, porque nós não faremos isto”, afirmou uma associação de vítimas do atentado em Florença, segundo o jornal “Fatto Quotidiano”.

Tradição de família

Toto Riina era casado desde 1974 com Antonietta Bagarella, uma professora que pertencia a uma grande família mafiosa. Ela teria continuado a mandar no império criminal construído pelo marido mesmo após a prisão dele em janeiro de 1993, segundo os investigadores. O casal teve quatro filhos – e dois deles seguiram os passos do pai.

Ninetta Bagarella teve quatro filhos com Toto Riina (Foto: Reprodução/Twitter/@AdnKronos )

Giuseppe Salvatore, nascido em 1977, foi condenado a oito anos e 10 meses de prisão por associação mafiosa em 2009. Giovanni, nascido em 1976, cumpre pena de prisão perpétua por assassinato.

Cosa Nostra mais discreta

“Com a estratégia de massacres sangrentos na Sicília e na Itália (…) ele (Toto Riina) tornou visível a máfia, com centenas de assassinatos, primeiro com kalashnikov e depois com bombas” explica Attilio Bolzoni, analista do jornal “La Repubblica”.

Os juízes confirmam que a Cosa Nostra não foi derrotada, mas que nos últimos anos se tornou mais discreta, abandonando as execuções e os crimes de sangue do período Riina.

“Não acontecem mais assassinatos ou acontecem poucos”, afirmou recentemente à AFP Ambrogio Cartosio, um promotor que trabalhou por mais de 20 anos no departamento especial de combate à máfia.

Mas a organização criminosa não desapareceu, muito pelo contrário. “Me parece que está muito mais presente que antes nas estruturas políticas, retomou o controle de território. Atua de maneira distinta. É menos militar, menos sanguinária, mas muito eficaz”, completou o promotor.

Nos anos 1990, a máfia conseguiu abalar o Estado italiano, que finalmente reforçou a legislação e criou uma unidade especializada na luta contra o crime organizado, não apenas contra a Cosa Nostra, mas também contra a ‘Ndrangheta’ (Calabria), a Camorra (Campania) e a Sacra Corona Unita (Apulia).

“Graças a uma luta intensa liderada pela magistratura e as forças de segurança, mas também graças ao apoio de amplos setores da população durante anos, enfraquecemos o aparato militar da máfia na Sicília”, destaca o promotor Cartosio.

Toto Riina, de camponês de Corleone a líder supremo da Cosa Nostra

Conhecido como “A Fera”, Toto Riina, o chefe dos chefes, nasceu em uma família humilde de Corleone e escalou todos os degraus da Cosa Nostra, espalhando o terror na Sicília e em sua própria organização durante 20 anos.

Um dia depois de completar 87 anos, o ex-poderoso chefão da máfia siciliana morreu na prisão em que passou mais de duas décadas desde 1993, condenado a 26 penas de prisão perpétua.

Com uma liderança sanguinária desde os anos 1970, ordenou mais de 150 assassinatos, em particular os dos juízes de combate à máfia Giovanni Falcone (1992) e Paolo Borsellino (1993). Também foi um dos cérebros dos atentados que deixaram 10 mortos em Roma, Milão e Florença em 1993.

Salvatore ‘Toto’ Riina também era conhecido como “U Curtu” (O Pequeno) por sua altura (1,58 metro).

Durante anos ele negou pertencer à Cosa Nostra, mas em 2009 admitiu implicitamente seu papel na organização criminosa.

Nasceu em 16 de novembro de 1930 em Corleone, perto de Palermo, capital da Sicília, em uma família de camponeses pobres e com apenas 18 anos entrou para a máfia.

Depois de uma primeira passagem pela prisão por assassinato, Riina, soldado fiel do líder mafioso Luciano Liggio desde os anos 1950, avançou na organização até substituir o chefe em 1974.

Em 1969, a justiça emitiu a primeira ordem de prisão contra ele, mas Riina conseguiu viver na clandestinidade durante quase 25 anos, período em que, provavelmente, nunca saiu da Sicília.

Riina, à frente do clã dos Corleone, se apoderou de todas as atividades rentáveis da máfia, do tráfico de drogas aos sequestros, passando pela extorsão, após uma guerra nos anos 1980 que deixou centenas de mortos entre as “famílias palermitanas”.

Depois de vencer a guerra em 1982, Riina assumiu o poder total e virou o chefe da “Cúpula” (o Executivo da Cosa Nostra).

A partir deste momento iniciou uma campanha de violência contra os representantes do Estado.

Graças à colaboração de vários criminosos arrependidos, entre eles o seu motorista pessoal, cansados ou aterrorizados pela crueldade do líder mafioso, as forças de segurança prenderam Riina em 15 de janeiro de 1993 em um subúrbio de Palermo.

Toto Riina rejeitou as acusações e afirmou que não conhecia a máfia, alegando que vivia na clandestinidade para fugir de acusações falsas.

Aparência de idoso ingênuo

Os vídeos dos interrogatórios de Riina revelaram um personagem de grande habilidade, que ocultava por trás da aparência de idoso ingênuo e medroso uma atitude fria e um olhar ameaçador.

Em 2009, Toto Riina rompeu o silêncio e afirmou que a máfia não havia sido responsável pela morte do juiz Paolo Borsellino, reconhecendo de fato que havia sido o principal líder da organização.

Após as diversas condenações por assassinato e associação mafiosa em vários julgamentos, a justiça confiscou do “chefe dos chefes” uma fortuna de 125 milhões de euros (147 milhões de dólares), investida em diversos bens.

Toto Riina estava preso em uma penitenciária de Parma, norte da Itália, e era submetido ao regime carcerário previsto para os mafiosos que, entre outras coisas, proíbe as visitas de parentes, autorizando apenas a presença do advogado.

Em julho, Riina, afetado pelo câncer, solicitou uma suspensão de pena para ser hospitalizado ou enviado à prisão domiciliar.

Mas um tribunal de Bolonha determinou que Riina deveria permanecer detido e que o tratamento médico que recebia na unidade carcerária do hospital de Parma era correto e suficiente.

Toto Riina, casado desde 1974 com Antonietta Bagarella, uma professora que pertencia a uma grande família mafiosa, que teria continuado a mandar no império criminal construído pelo marido mesmo após a prisão dele em janeiro de 1993. O casal teve quatro filhos- dois deles seguiram os passos do pai.

Giuseppe Salvatore, nascido em 1977, foi condenado a oito anos e 10 meses de prisão por associação mafiosa em 2009. Giovanni, nascido em 1976, cumpre pena de prisão perpétua por assassinato.

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