Ministro da Administração Interna de Portugal deu declaração para o jornal português ‘Diário de Notícias’. Essa foi a 1ª morte de um civil em uma perseguição policial neste ano.

Ivanice Carvalho da Costa foi morta por engano por disparos policiais em Lisboa (Foto: Arquivo Pessoal)

A morte da brasileira em uma operação policial em Lisboa foi uma “circunstância infeliz”, na avaliação do ministro da Administração Interna de Portugal, Eduardo Cabrita, mas garantiu que tudo será apurado, informou o jornal português “Diário de Notícias” nesta sexta-feira (17).

Ivanice Carvalho da Costa, de 36 anos, foi baleada no pescoço na madrugada de quarta-feira (15) depois que o carro em que estava desobedeceu um sinal de parada da polícia e foi confundido com o de assaltantes. A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abriu um inquérito para apurar a conduta dos policiais, que faziam patrulha em busca de criminosos que atacaram um caixa eletrônico.

“A circunstância infeliz ontem [quarta-feira], verificada no quadro de uma perseguição, está neste momento a ser investigada pela Inspeção-Geral da Administração Interna [IGAI], pelas autoridades judiciárias, pelo Ministério Público, no quadro das suas competências próprias. Tudo será apurado”, disse o ministro. Os seis policiais envolvidos na ocorrência estão recebendo ajuda psicológica.

Essa foi a 1ª morte de um civil em uma perseguição policial neste ano em Portugal, de acordo com o jornal “Diário de Notícias”.

Perseguição policial

Após o furto de um caixa eletrônico no Pragal, os policiais da cidade estavam em busca de um veículo Seat Leon preto usado pelos ladrões.

De acordo com informações do Comando Metropolitano de Lisboa, os suspeitos chegaram a disparar tiros contra os policiais durante a fuga, que ocorreu por volta das 3h05 da madrugada.

As buscas mobilizaram, então, várias equipes. Barreiras foram colocadas em alguns pontos da cidade para reduzir as possíveis rotas de fuga dos suspeitos.

Por volta das 3h35, a polícia deu ordem de parada para o motorista do Renault Megane preto em que estava Ivanice, que seguia para a loja de departamento onde ela trabalhava no aeroporto de Lisboa.

Em um comunicado, a polícia afirmou que o carro “aparentava corresponder às características do veículo suspeito”. O condutor era o companheiro de Ivanice, que dirigia sem habilitação e sem seguro obrigatório do carro.

Segundo o Comando Metropolitano de Lisboa, o motorista jogou o carro na direção dos policiais, que reagiram atirando. Segundo o “Diário de Notícias”, o veículo foi atingido por cerca de 20 disparos.

O carro teria ainda ultrapassado uma segunda barreira policial, e foi parado pouco tempo depois. O companheiro de Ivanice foi preso. Nenhum dos assaltantes do caixa eletrônico foi detido no cerco.

Família no Paraná

Maria Luzia Silva Carvalho da Costa, mãe de Ivanice, afirmou ao G1 que não tem dinheiro para trazer o corpo para o Brasil. Ela mora em Amaporã, no Paraná.

A Embaixada do Brasil em Portugal disse “lamentar profundamente” o ocorrido. Em nota, disse ter tomado conhecimento do incidente nesta quinta-feira, e que a família da vítima já entrou em contato com o “Consulado-Geral do Brasil em Lisboa, que prestará o apoio cabível”.

“A Embaixada acompanha atentamente o caso e aguarda novas informações a respeito do inquérito com vistas a determinar o curso de ação a ser tomado”, diz a nota da embaixada.

De acordo com nota do Itamaraty enviada ao G1, a família de Ivanice foi recebida nesta manhã no Consulado do Brasil em Lisboa, e informou que já conta com conta com advogado constituído.

 Fonte: G1
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