Médica do Hospital Uopeccan explica como a doença se manifesta

 

Câncer de pele ( melanoma) Foto: Divulgação

De acordo com dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer), todos os anos surgem 176 mil casos de câncer da pele, o de maior incidência no país. Atenta a esse alto índice, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) desenvolve, desde 2014, o movimento Dezembro Laranja, com a promoção de uma série de iniciativas de conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce da doença, incluindo a importância da fotoproteção em suas diferentes formas para a redução dos riscos.

Segundo a médica oncologista do Hospital Uopeccan, Mariana Taís Ferreira Moreira, existem dois tipos importantes de câncer de pele: não melanoma e melanoma. “Essa divisão facilita tanto no diagnóstico clínico quanto na compreensão da doença, porque elas se comportam de maneiras diferentes. O melanoma é o tipo de câncer de pele mais agressivo, porém o menos frequente, correspondendo a apenas 3% desses tumores. Ele acomete mais pessoas de pele clara, mas também pode ocorrer em negros. Nestes, geralmente ocorre na palma da mão e nos pés, tanto que o caso mais conhecido de melanoma foi o de Bob Marley, que faleceu por um melanoma no pé”, esclarece a médica.

Normalmente, as lesões do tipo melanoma são enegrecidas e podem surgir de pintas antigas ou lesões novas. “Para orientar na avaliação de uma lesão pigmentada (colorida), foi criada a regra do ABCDE”, comenta. A letra “A” remete à assimetria, onde pode-se observar se as chamadas “pintas” são simétricas ou não; a letra “B” remete às bordas, reforçando a importância de observar se as pintas são regulares e geométricas ou se possuem as bordas recortadas; a letra “C” remete às cores – se são tonalidades diversas ou se apenas um tom predomina na pinta; a letra “D” remete à dimensão (para a medicina, lesões com menos de 5 mm são consideradas pequenas e as que vão além desse tamanho são consideradas grandes) e, por fim, a letra “E” remete à evolução, ponto em que deve-se observar se houve algum tipo de alteração – seja de cor, tamanho, aspecto ou textura.

Em relação ao câncer de pele não melanoma, segundo a doutora Mariana, esse é o tipo mais comum e também, o menos agressivo. “Ele acomete principalmente as regiões do corpo mais expostas ao sol e pessoas com pele clara, olhos claros e cabelos claros. Estão relacionados ao tempo de exposição solar. Por isso, são mais comuns em idosos e em quem trabalha exposto ao sol”, explica. “Dentro desse grupo de tumores, 2 tipos se destacam o carcinoma basocelular (CBC) e o carcinoma espinocelular (CEC). O CBC corresponde a 75% dos cânceres de pele, são tumores menos agressivos e normalmente não se espalham para outros locais. Já o CEC é o segundo tumor de pele mais comum, e pode se espalhar para os linfonodos (“ínguas”) mais próximos”, pontua a profissional.

PREVENÇÃO E CUIDADOS

Neste ano, a campanha do Dezembro Laranja foca muito nas questões relacionadas à exposição solar.  Sob o slogan “Se exponha, mas não se queime”, a mobilização pretende conscientizar e educar as pessoas sobre os riscos do câncer da pele decorrentes da exposição excessiva ao sol sem proteção, lembrando que filtro solar não é o único cuidado contra a radiação ultravioleta. “Dessa forma, recomenda-se o uso de protetor solar, evitar exposição no horário de maior radiação solar das 10 às 16h e o emprego de barreiras físicas como chapéus, roupas de manga longa e calças, que são considerados fatores protetores”, recomenda a dra. Mariana.

Em casos em que o indivíduo perceba algum tipo de alteração como lesão de pele duradoura, histórico de crescimento, sangramento e mudança de cor, o importante é procurar um médico para que, caso haja necessidade, o tratamento adequado inicie o quanto antes.

 

 

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