Estamos no Novembro Diabetes Azul, mês de conscientização sobre o diabetes, doença crônica de origem múltipla que causa aumento da glicose (açúcar) no sangue. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que 16 milhões de brasileiros sofrem de diabetes. Ainda de acordo com o estudo, a taxa de incidência da doença cresceu 61,8% nos últimos dez anos. No Brasil, cerca da metade das pessoas que possuem diabetes ainda não têm o diagnóstico (no dia 14 de novembro é celebrado o Dia Mundial do Diabetes).

A endocrinologista e presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – regional Paraná (SBEM-PR) Silmara A. Oliveira Leite listou alguns fatores de risco para a doença e explicou o quanto a genética pode influenciar nesse quadro.

“Os principais fatores de riscos para desenvolver o diabetes são: sedentarismo, pressão alta, colesterol alto, obesidade ou sobrepeso com aumento da circunferência abdominal, diabetes gestacional e histórico familiar da doença (pais e irmãos). Vale destacar, no entanto, que a genética é o principal fator de risco. Porém, se a pessoa com essa predisposição atuar nos fatores de risco modificáveis, como por exemplo, fazer atividade física regularmente, ajuda a prevenir o diabetes”, completou a especialista.

Dados da Secretaria de Estado de Saúde do Paraná mostram que o número de óbitos por diabetes no Paraná aumentou de 2.730, em 2008, para 3.314, em 2011.

Sintomas do diabetes

Os sintomas característicos do diabetes são: urinar muito e tomar muita água, além da perda de peso também aparecer no diagnóstico do diabetes tipo 1. A maioria dos portadores de diabetes tipo 2 são assintomáticos. “Por isso”, lembra Silmara, “que 50% dos diabéticos permanecem sem diagnóstico”.

Obesidade x diabetes

A obesidade é um dos principais fatores de risco para o diabetes tipo 2, e existe uma forte relação entre o ganho de peso, mesmo que pouco, e o aumento do risco. De acordo com a endócrino, a obesidade visceral – aquela que se encontra concentrada em abdômen – é um indicador de resistência na ação da insulina.

“O indivíduo precisa produzir muita insulina para fazer efeito de reduzir a glicose no sangue e ao longo do tempo a reserva de insulina se torna insuficiente e a pessoa se torna diabética”, explicou Silmara.

Medidas de circunferência abdominal igual ou superior a 94 cm em homens e 80 cm em mulheres já indicam maior risco, especialmente, para doenças ligadas ao coração.

Tipos de diabetes

Existem 5 tipos de diabetes: Tipo 1, Tipo 2, diabetes gestacional, secundária à medicação (corticoide é o mais frequente, seguido de alguns antipsicóticos e alcoolismo) e secundária a doenças pancreáticas.

O tipo 1 e o tipo 2 geralmente são os mais conhecidos. O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune (destruição autoimune das células produtoras de insulina) e geralmente aparece na infância e adolescência, afetando, em média, entre 5 e 10% do total de pessoas com a doença – pode ser diagnosticada em adultos também. É tratado com reposição de insulina, medicamentos, mudanças nos hábitos alimentos e estímulo à prática de atividade física.

Já o diabetes tipo 2 é quando o pâncreas produz insulina, mas há a resistência da ação da insulina para captação de glicose no músculo e nas células gordurosas. É mais comum em pessoas com mais de 40 anos, sedentárias, sem hábitos saudáveis de alimentação, acima do peso, mas também pode afetar os jovens.

Prevenção do diabetes

Hábitos saudáveis e atividade física regular são fundamentais para ficar longe da doença. A forma mais efetiva de prevenção do diabetes é a mudança de estilo de vida. Porém, quando não se obtém o resultado, o uso de medicação como a metforminas pode ser ajudar de forma segura e eficiente.

Em relação à alimentação, os diabéticos devem comer de forma saudável, restringir os carboidratos processados e preferir os alimentos com fibras que reduzem o índice glicêmico.

Pé diabético

Quem tem diabetes pode ter a sensibilidade dos pés alterada e não sentir dores quando apresentar algum problema. Com isso, perde-se a proteção da dor e lesões podem progredir sem sentir incômodo. E aí, ao perceber o problema, pode ser tarde – e em alguns casos, é necessária a amputação.

Segundo a especialista, o primeiro cuidado é a inspeção dos pés para verificar se não há nenhuma micose ou ‘frieira’, que é uma porta de entrada para bactérias. “Ao cortar as unhas, cuidado para não causar ferimentos. Nunca coloque bolsa de água quente nos pés devido ao risco de queimadura sem sentir. A dica é procurar o médico no caso de dor ou mudança de temperatura, ou cor dos pés”, ressalta.

A doutora também esclareceu que nem todo paciente diabético terá complicações nos pés. “O pé diabético acontece quando o indivíduo apresenta alterações da circulação com insuficiência arterial periférica associada com a neuropatia periférica”.

Os principais sintomas do pé diabético são: dor (em forma de ardência ou pontada), queimação, dormência ou formigamento, fraqueza nas pernas, cãibras, entre outros.

Convivendo com o diabetes

O diabetes não tem cura, mas tem controle. De acordo com SIlmara, pessoas com diabetes e que têm a doença controlada podem ter uma vida normal. “Em primeiro lugar é preciso aceitar o fato de que a pessoa com diabetes precisa gerenciar os valores de glicose como outras funções que temos no dia a dia, e decidir por uma alimentação saudável. Deve ser um hábito diário”, reforçou.

Segundo a International Diabetes Federation, os 7 pilares para o bom manejo do diabetes são:

– Comer de forma saudável;

– Fazer atividade física;

– Vigiar os valores de glicemia;

– Tomar os medicamentos;

– Encontrar soluções;

– Reduzir riscos;

– Adaptar-se saudavelmente.

Sobre o Dia Mundial do Diabetes

Em 14 de novembro é comemorado o Dia Mundial do Diabetes, em memória ao aniversário de Frederick Banting, que juntamente com Charles Best descobriram a insulina em 1923. Atualmente, esse dia é comemorado em mais de 160 países.

Sobre o Novembro Diabetes Azul

O Novembro Diabetes Azul voltou a integrar o Calendário de Eventos do Ministério da Saúde neste ano. O tema da Federação Internacional de Diabetes (IDF) para 2018-2019 é a família, que tem um papel importante no cuidar e apoiar a pessoa com diabetes.

“A família deve colaborar com a dieta adequada do paciente diabético, para que todos vivam com saúde, além de dar suporte para ajudar os portadores da doença que já possuem complicações. Também é fundamental o apoio psicológico e o incentivo à realização da atividade física”, completou Silmara.

Para mais informações, acesse: http://novembrodiabetesazul.com.br/ .

Sobre Silmara A. Oliveira Leite

Silmara A. Oliveira Leite é médica especialista em Endocrinologia e Metabologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), International Fellowship em Diabetes, IDC, Park Nicollet Health Institute – MN (EUA), doutora em Ciências Médicas e Biológicas (UNIFESP – SP) e presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – regional Paraná (SBEM-PR). Atua como revisora da revista Archives of Endocrinology and Metabolism, é membro do corpo editorial da revista Diabetology&Metabolic Syndrome e Diretora Clínica do Centro de Ensino e Pesquisa – Cline Research Center (Curitiba – PR)

Sobre a SBEM-PR

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional Paraná (SBEM-PR) foi fundada em 1957 e tem como objetivo promover a expansão da endocrinologia no estado, valorizar a especialidade médica e esclarecer a população sobre diversas doenças endócrinas e metabólicas. Com unidades em Curitiba, Cascavel, Maringá e Londrina, a instituição conta hoje com cerca de 200 sócios.

Serviço:

Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional Paraná

Endereço: Av. República Argentina, 369, cj. 1101, 11º andar / Água Verde

Fone: (41) 3343-5338

E-mail: sbempr@endocrino.org.br

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