Dia 10 de janeiro de 2019, sete meses após o crime, ocorrerá a audiência que trata da instrução da primeira
fase do procedimento de crimes dolosos contra a vida de Douglas Regis Junckes na 2ª Vara do Tribunal do Júri de
Curitiba.

É o momento que fazem a apresentação das provas. Serão ouvidas testemunhas indicadas pela acusação,pela defesa e se encerra com o interrogatório do réu, Antonio Humia Dorrio.

Posteriormente a esta audiência, o Ministério Público, assistentes de acusação e defesa, tentarão demonstrar por intermédio das provas nos autos, a verdade dos fatos e suas teses.

A família (que reside em Blumenau/SC, cidade natal da vítima) vive uma luta pessoal diariamente para conseguir minimizar a dor da perda e a indignação com a impunidade do crime. “Temos feito homenagens e eventos pela memória do Douglas, mas ao término sempre fica aquele vazio, aquela saudade que nunca mais terá término,
aquela ausência que nada preenche.” diz Kalinka Maronez Moura, amiga da vítima. “Manter meus pais vivos após a
morte do meu irmão tem sido meu maior desafio, ninguém faz ideia do que estamos vivendo e constantemente
relembrando desde o dia 20 de maio.” lamenta Eduardo Junckes, irmão de Douglas.

RELEMBRE O CRIME

Douglas Regis Junckes foi assassinado no dia 20 de maio, dentro do seu próprio apartamento, pelo vizinho do andar
de cima, Antonio Humia Dorrio. O crime aconteceu numa tarde de domingo e tirou para sempre a tranquilidade de
todos os moradores do até então tranquilo e seguro condomínio. Dorrio estava irritado com o volume do som do
vizinho, foi tirar satisfações já armado e resolveu a questão com quatro tiros, na cabeça e no peito.

Na época do crime um morador do prédio relatou que a vítima morava sozinha no apartamento. “A gente nunca tinha presenciado qualquer conflito entre eles.”, lamentou.
Dorrio foi encontrado instantes depois no Hospital Cajuru, onde foi buscar atendimento após o incidente. Dentro do
seu carro, os policiais acharam a arma utilizada no crime. Ele recebeu voz de prisão e foi levado para a Central de
Flagrantes.

Além do revólver calibre 38 usado para atirar contra o vizinho, os policiais militares também encontraram outra
arma, uma pistola calibre 32, essa sem registro. Ele foi autuado por homicídio duplamente qualificado por motivo
fútil e porte de arma de fogo ilegal.

Apesar da gravidade e da futilidade do crime, o juiz Daniel Surdi de Avelar, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba,
soltou Dorrio no dia 5 de junho. No dia 7 de junho o Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou e pediu a
prisão preventiva de Dorrio. Ao justificar a prisão, a promotora Roberta Franco Massa disse que as condutas
hediondas praticadas por Dorrio “abalam a ordem pública, causando clamor social, demandando resposta rápida e
enérgica do Poder Judiciário, sob pena de perda de sua credibilidade perante a sociedade e, por consectário,
deixando fragilizada a prevenção geral da norma penal”.

ATLAS DA VIOLÊNCIA

O Atlas da Violência é um documento produzido pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), onde
são analisados inúmeros indicadores para melhor compreender o processo de acentuada violência no país.

Em 2016, o Brasil alcançou a marca histórica de 62.517 homicídios, segundo informações do Ministério da Saúde (MS). Isso equivale a uma taxa de 30,3 mortes para cada 100 mil habitantes, que corresponde a 30 vezes a taxa da Europa.

Apenas nos últimos dez anos, 553 mil pessoas perderam suas vidas devido à violência intencional no Brasil. Esse total de mortos é maior que o da Síria, um país em guerra há sete anos.

Essa situação trágica chegou a esse ponto por vários motivos, como a impunidade e a legislação inadequada sobre o tema. Menos de 10% dos casos de homicídio no país são esclarecidos, para vencermos a violência, precisamos acabar com a impunidade e as regalias e defender o respeito ao cidadão. “Estamos matando o futuro do país. E isso não é uma licença poética. Cada vez mais jovens são assassinados e em idades cada vez mais precoces”, diz o economista Daniel Cerqueira, pesquisador do Ipea e um dos autores do Atlas 2018.

71,1% dos homicídios no Brasil em 2016 foram causados por armas de fogo. Especialistas estimam que, não fosse o Estatuto do Desarmamento, mortes teriam crescido 12% além do observado.

Local da Audiência: 2ª Vara Sumariante do Tribunal do Júri de Curitiba
Endereço: Praça Nossa Senhora de Salete, s/n – Curitiba/PR
Horário: 14 horas

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo impróprio ou ilegal, denuncie.