PACARAIMA – Após o fracasso do plano de enviar ajuda humanitária à Venezuela pelas fronteiras com a Colômbia e o Brasil, o líder opositor venezuelano Juan Guaidó discutirá na segunda-feira, 25, com representantes do Grupo de Lima e o vice-presidente americano, Mike Pence, novas estratégias para fazer entrar remédios e alimentos em território venezuelano, bem como para buscar rupturas de oficiais de média e alta patente nas Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB).

Segundo o deputado opositor Luis Silva, do Estado de Bolívar e pertencente ao patido Acción Democrática. “Estamos reavaliando a estratégia com o grupo de Lima e nossos aliados e em função disso surgirá um novo procedimento”, disse ele ao Estado.”Mas o presidente Guaidó fará tudo a seu alcance para que a ajuda chegue.”

Ainda de acordo com o deputado, depois dos confrontos entre militares venezuelanos e manifestantes neste sábado, 23, na fronteira com a Colômbia, que levaram à queima de caminhões de ajuda, Guaidó optou por resguardar os dois pequenos caminhões que estavam estacionados na fronteira do Brasil com a Venezuela trazendo arroz, água e remédios.

Silva pediu também que o governo brasileiro traga de Boa Vista para Pacaraima as 178 toneladas de alimento armanezadas na base aérea da capital roraimense para a fronteira. “O presidente Jair Bolsonaro já fez muito por nós e pedimos que faça um pouco mais”, afirmou. “Queremos a ajuda humanitária o mais perto possível (da Venezuela)”.

O opositor descreveu os conflitos como “intoleráveis” e disse que em Santa Elena do Uairen, a violência foi ainda pior que em Pacaraima. Enquanto fontes médicas na cidade dizem que houve ao menos três mortos no sábado, o deputado diz que esse balanço já está em cinco mortes e pode chegar a até 20.

Desde o fechamento da fronteira, na quinta-feira, 21, há relatos de confrontos entre a GNB e manifestantes em Santa Elena do Uairém. Há repressão também na comunidade indígena de Gran Savana. Os comércios estão fechados e o clima é de apreensão na cidade, segundo relato de moradores.

Silva também acusou o governo venezuelano de fazer incursões em território brasileiro para perseguir imigrantes que tentavam deixar a venezuela, mas não apresentou evidências da acusação. O tenente-coronel Alyson Mendonça, porta-voz da Operação Controle d Exército Brasileiro nas fronteiras, disse ao Estado que a acusação não é verídica.

Para analistas, o “dia D’ configura mais uma vitória simbólica do que prática para a oposição venezuelana. Luis Vicente León, do Instituto Datanálisis, acredita que diante da crise, era difícil para oposição perder. Mas entre ganhar muito e pouco, ganhou pouco.

“Foi uma vitória no terreno simbólico ao demonstrar a perversidade de Maduro, com a repressão e a queima da ajuda humanitária, avaliou. “Mas ainda não há defecções de alta patente no Exército que possibilitem uma mudança no regime.

Ainda de acordo com o analista, Maduro tenta ganhar tempo e evitar uma ação militar externa. “Apesar disso, uma negociação para uma saída eleitoral é muito remota”, acrescentou. “A oposição não precisa e não quer aceitar a negociação e o respaldo popular a Guaidó é muito grande, em torno de 60% da população.”

Na tarde deste domingo, não houve sinais de que a ajuda voltaria à fronteira. O fluxo pela manhã era normal, com venezuelanos chegando ao Brasil por trilhas paralelas à estrada. Muitos carregavam malas em meio aos pedaços de pedra e lixo que restaram do confronto entre a GNB e manifestantes na tarde deste sábado, 23. A bandeira venezuelana, que desde o fechamento da fronteira não era hasteada, foi roubada do marco fronteiriço. Apenas a do Brasil tremulava.

(Fonte: Estadão)

 

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