Umuarama vive um momento delicado. De um lado os cerca de 4 mil moradores do Jardim São Cristóvão e adjacentes, que reconhecem a necessidade a obra, mas se posicionam contra a instalação de uma Casa de Custódia no bairro. Na outra ponta o Poder Público – forças de segurança, Prefeitura Municipal e Câmara de Vereadores – que se posiciona no sentido de manter a obra no local.

A decisão final será conhecida a partir das 18h30 desta segunda-feira (8), quando os vereadores votam em segunda sessão extraordinária o Projeto de Lei 037/2019, que prevê a doação de um imóvel com 36,3 mil metros quadrados para o Governo do Estado construir a nova cadeia, com capacidade para 752 presos. Na primeira sessão, na última quinta-feira (4) cinco representantes do povo aprovaram a doação e três contra.

Para saber como é a vida de quem mora ao lado de um local que abriga centenas de presos, o Ilustrado foi até o Jardim Brasil, em Cruzeiro do Oeste, conversar com moradores, para saber o que melhorou e o que piorou com a instalação da Penitenciária Estadual de Cruzeiro do Oeste, em fevereiro de 2012.

Foto: Umuarama Ilustrado

PECO

Em sete anos de funcionamento, todos os entrevistados foram unânimes em apontar apenas duas melhorias: segurança, com a presença constante e ostensiva da Polícia Militar e construção de asfalto nas vias do bairro, que tem mais de 20 anos de fundação e é formado por pessoas mais humildes.

“Quando saio só tranco a casa. O portão não uso cadeado não. Em sete anos que estou aqui nunca mexeram. Deixo as cadeiras da área e nada, nunca ninguém mexeu”, contou a auxiliar de serviços gerais Edna de Fátima da Silva, 55 anos.

A fala é emendada pelo comerciante José Cavalcante Silva, 56 anos. Há três anos ele e a esposa abriram uma mercearia que funciona também como restaurante no local e tem como principal clientela os familiares dos detentos. “Aqui é seguro. Não me preocupo com segurança”, afirmou.

José Cavalcante ainda afirmou que o forte das marmitas que serve é na sexta-feira, sábado e domingo. “Nestes dias são perto de 100. Sem contar as outras coisas, como bolos, refrigerantes e outras coisas que os familiares compram para eles e também para quem está recolhido”, salientou. Ele se mostrou satisfeito com o dinheiro que ganha.

Foto: Umuarama Ilustrado

GRANDE CIRCULAÇÃO

Em contrapartida, existem inconvenientes, como a grande circulação de pessoas de fora pelas ruas do bairro. “Nos dias de visita é muita gente. Tem pessoas que passam com aquelas malas de viagem grande e com rodinhas. Não sei como fazem, mas posam ali, acho que para guardar lugar na fila, né? Nesses dias muitas usam esse banco (que fica na frente da casa da entrevistada) para descansar. Isso eu não gosto. Não. Eles não mexem em nada e nem com ninguém, apenas sentam”, contou outra moradora, a diarista Rita Custódia Santana Moreira, 56 anos.

O bairro ainda conta com creche e escola municipal, que já existiam antes da instalação da penitenciária. Outros comércios, como mercados, lanchonetes até existem, mas de forma pouco significativa.

(Fonte:http://ilustrado.com.br)

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