O ex-diretor do Instituto Médico-Legal (IML) de Umuarama, Castelar Paulino Rodrigues, preso no final de agosto, suspeito de fraudar centenas de indenizações do Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT), deixou o cárcere e voltou a atuar no órgão na semana passada.

Questionado pelo Umuarama News, o diretor geral do IML, Aldo Pesarine, disse que aguarda ter acesso às informações da investigação da Polícia Civil e apurações do Ministério Público. O esquema teria desviado mais de R$ 1 milhão, segundo a Polícia Civil, que deflagrou a operação.

“Não foi tramitado e julgado. Ele não está mais na chefia e, enquanto funcionário público, deve continuar trabalhando. Só após terminados os trâmites e emitida sentença é que serão tomadas as providências cabíveis”, destacou Pesarine.

“Não podemos atropelar ou atrapalhar as investigações em andamento. Cada coisa a seu tempo. São decisões que fogem da minha alçada. Mesmo porque em outra esfera dificulta a investigação. Não temos nenhum documento que autoriza o afastamento de servidor que esteja sob investigação”, declarou o diretor geral.

Castelar entrou para o funcionalismo público estadual após ser aprovado em um concurso para a área da educação, mas nunca atuou no segmento, sendo de pronto efetivado na Secretaria de Segurança Pública (Sesp).

Sequer uma sindicância contra Castelar foi aberta até o momento, confirmou Pesarine. Castelar segue bem à vontade exercendo a função de técnico administrativo.

Quando Castelar assumiu ele foi mandado diretamente para o IML. Nunca trabalhou na educação, automaticamente passou a ser servidor da SESP, onde está até hoje. Assumiu em 2007 ou 2008 e em 2011 passou a ser o chefe administrativo, até ser preso na operação deflagrada pela Divisão de Combate à Corrupção (DCCO).

Após a prisão, no dia 30 de agosto, Castelar perdeu a função gratificada.

Denúncias começaram em 2009

O autor da denúncia que culminou com a descoberta do esquema, Edson Maia, é ex-funcionário do IML. Segundo ele, as suspeitas tiveram início em 2009 e a primeira denúncia ao Ministério Público ocorreu em 2011. Em 2013, uma segunda denúncia foi formalizada junto ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Castelar teria fraudado laudos de médicos legistas para possibilitar o pagamento indevido do seguro, explorando inclusive, segundo Maia, a boa fé dos médicos legistas. “Os laudos eram adulterados descaradamente a partir dos rascunhos assinados pelos médicos, que confiaram no funcionário público. Lesões  pequenas eram aumentadas para a obtenção de lucro”, pontua Edson.

“Existem mais pessoas a serem denunciadas e certamente teremos mais surpresas”, ressalta Maia.

Do total de indenizações fraudulentas, 82 eram idênticas e possibilitaram o início das investigações, segundo a polícia.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo impróprio ou ilegal, denuncie.