O presidente Donald Trump anunciou nesta terça-feira (24) que deseja aliviar o isolamento causado pelo novo coronavírus nos Estados Unidos e reativar a economia em três semanas, embora o governador de Nova York tenha avisado que a crise atingirá seu pico nesse período.

“Pode destruir um país dessa maneira, fechando-o”, assegurou o presidente.

Medidas de distanciamento social e quarentena foram instituídas em grande parte dos Estados Unidos, levando a uma queda acentuada da atividade na maior economia do mundo. A campanha presidencial para as eleições de novembro foi outra vítima significativa da quarentena, já que vários comícios foram cancelados.

Especialistas em saúde apontaram que as medidas de isolamento e paralisação são a única maneira de impedir que a doença facilmente transmissível e com risco de vida se multiplique incontrolavelmente

Trump pediu um período de observação de 15 dias que termina no início da próxima semana. Mas o presidente garantiu na terça-feira que as medidas foram exageradas. “Perdemos milhares e milhares de pessoas por ano devido à gripe. Não fechamos o país por causa disso, perdemos muito mais do que isso em acidentes de carro. Não ligamos para os fabricantes de automóveis para dizer ‘Pare de fabricar’”, afirmou.

Horas depois, Trump parecia voltar atrás em seu objetivo de abrir o país na Páscoa, em uma entrevista coletiva com Anthony Fauci, o renomado especialista em doenças infecciosas que assessora o governo.

“Só o faremos se for positivo”, disse Trump, esclarecendo que a reabertura pode se limitar a uma “parte” do país, por exemplo, a algumas áreas rurais ou áreas do Texas e oeste dos Estados Unidos, onde a densidade populacional é alta. frequentemente baixo.

Mais de 700 pessoas morreram devido ao coronavírus nos Estados Unidos, que registraram quase 54.000 casos confirmados, de acordo com a contagem da Universidade Johns Hopkins, usada como referência no país, nos Estados Unidos.

Os Estados Unidos são o país com mais casos no mundo, atrás da China e da Itália. Em contraste com o otimismo de Trump, o governador de Nova York, Andrew Cuomo, alertou na terça-feira que o número de novos casos no estado está dobrando a cada três dias e atingindo “números astronômicos”. O estado já tem mais de 25 mil diagnósticos positivos, incluindo quase 15 mil na cidade de Nova York, o epicentro da pandemia no país.

Cuomo estimou que Nova York chegará ao ápice da crise em 14 a 21 dias, tornando imperativo obter mais leitos hospitalares, máscaras, respiradores e equipe médica o mais rápido possível.

Atualmente, o estado tem apenas 10 mil respiradores e precisa de mais 30 mil, disse Cuomo, desesperado, pedindo ajuda ao governo federal. Nova York tem 53 mil leitos hospitalares, mas precisa de 140 mil.

– Quem vem primeiro, economia ou saúde? –

No entanto, sua insistência em um rápido renascimento da economia acarreta o risco de que alguns acreditem que ele prioriza a riqueza em detrimento da sobrevivência dos doentes, principalmente os idosos, os mais vulneráveis.

Fonte: Istoé Dinheiro

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