segunda-feira, 24 janeiro 2022
UMUARAMA/PR

Série especial do UN mostra, com exclusividade, como e quem roubou milhões da Saúde de Umuarama

Série especial do UN mostra, com exclusividade, como e quem roubou milhões da Saúde de Umuarama

Integrantes da família Nelli migraram da Câmara para o INSA, onde teriam montado esquema que gerou investigação de crimes de organização criminosa, peculato, falsidade ideológica, rachadinha e funcionário fantasma

Que a Operação Metástase, desenvolvida pelo Ministério Público, apontou ao menos 10 pessoas diretamente envolvidas com o desvio de recursos públicos e que inclusive foram presas, todos nós já sabemos.

O fato de que o prefeito atualmente afastado de Umuarama, Celso Luiz Pozzobom é um dos investigados e que já até foi citado como sendo supostamente o mentor do esquema, o Gaeco já mostrou.

A saúde da população do município foi diretamente afetada com o maior caso de corrupção já visto, pelo menos no Estado do Paraná e que pessoas morreram por falta de equipamentos essenciais para tratar de pacientes acometidos pela covid-19.

Tudo isso a imprensa já divulgou e inclusive apontou os nomes dos envolvidos e de investigados.

Mas o que você vai ler agora, aqui no UN, é apenas o início de uma série de reportagens que mostram em detalhes como o esquema era realizado e que, além da investigação que cai sobre o prefeito afastado da cidade, também olha e analisa os passos de empresários, médicos, funcionários administrativos de entidades filantrópicas, prefeitos de outras cidades, um ex-prefeito, um vereador e pelo menos um ex-vereador de Umuarama. A campana do Ministério Público também cerca vários deputados federais e cita nos processos, um deputado estadual.

Desvios pelo INSA

A portaria de instauração de procedimento investigatório Ministério Público, aponta que Cristiano Derenusson Nelli, era o gestor do Instituto Nossa Senhora Aparecida, que inclusive conta com condenação transitada em julgado por improbidade administrativa na Justiça Federal do Paraná.

De acordo com a denúncia, Cristiano Nelli estaria se valendo de um funcionário daquela entidade, “Mateus Giroldo” para sacar quantias em espécie, diretamente no caixa do
Banco Uniprime, agência 007, em Umuarama desde o ano de 2018. Nelli justificava ao setor financeiro que tais valores seriam destinados ao pagamento de 10% de propina a políticos que ajudaram com emendas parlamentares.

O MP possui documentos provando que até o dia 6 de março de 2019, teriam sido desviados mais de R$ 380 mil.

O MP acrescenta ainda que tais cheques eram assinados pelo vice presidente do INSA, quanto pelo presidente, Luiz Carlos Derenusson Nelli e Milton José Belezze, respectivamente e que ambos tiveram conhecimento dos fatos.

 

Rachadinha

A investigação do MP mostrou ainda que havia um esquema de ‘rachadinha’ ou ‘funcionário fantasma’, citando o nome de ‘Roseli’, que atua na lavanderia e que tem salário superior a R$ 4 mil. O MP questionou para onde iria este valor e descobriu que foram aprovados novos membros do INSA, Cristiano Nelli, Luiz Fernando e outros indicados por eles, sugerindo que a família ‘Nelli’ teria migrado da gestão da Câmara Municipal de Umuarama para o INSA, em cujo âmbito sequer precisam prestar contas aos órgãos competentes.

Violação da Constituição

O processo detalha também que Luiz Carlos Cortes Derenusson, presidente do INSA não respeitou a súmula vinculante do art. 13 do STF. “A nomeação de conjugue, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o de terceiro grau, inclusive, de autoridade nomeante ou de servidor na mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia e assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos poderes da União, dos Estados, Distrito Federal e Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a constituição federal.

Além de nomear o sobrinho Cristiano Nelli, Luiz Carlos Cortes e o próprio filho Luiz Fernando Nogueira Derenusson.

Ex da Câmara

Na denuncia do MP, consta que a pessoa que passou a fazer as negociações financeiras citadas acima, seria Leandro Marques Siqueira, ex-funcionário da Câmara Municipal de Umuarama. De acordo com os levantamentos, este possui um veículo Jeep Renagade, veículo de valor incompatível com seus rendimentos, tanto na Câmara, quanto no INSA.

Este, e outros fatos investigados, configuram, seguindo o MP, com desvio de dinheiro público.

A quantidade de cheques emitidos e sacados sem justificativa desde a contratação de Cristiano Nelli é muito alta, segundo o MP, levando à falta de medicamentos e insumos ao hospital e até alimentos para os pacientes

Esquema Miester

Valdecir Miester. (Foto: Reprodução Facebook)

Vani Soares Miester, esposa de Valdecir Miester (preso na Operação Metástase), moradora e empresária na cidade de Boa Vista da Aparecida, está sendo investigada pela não prestação de serviços contratados pelo INSA. Segundo os autos, os valores pagos pelo Instituto ultrapassam meio milhão de reais, para serviços de elaboração de projetos e relatórios na área de saúde.

A empresa Noroeste Papelaria e Informática também foi citada, por suspeita de superfaturamento de mercadorias. 

Parentada

Quando o MP citou acima que integrantes da família Nelli teriam deixado a Câmara e migraram para o INSA, com a aprovação de Cristiano e Luiz Fernando, a finalidade seria perpetuar no cargo e administrar o dinheiro público, como se fossem recursos privados. “Deixaram de administrar a Câmara e agora encamparam em uma instituição ‘muito melhor’ e onde não necessitam prestar constas aos órgãos competentes (A imoralidade é total)”. Tal administração não presta contas aos associados e muito menos à sociedade. Não existe transparência.

Acusações

O promotor Diogo de Araújo Lima, do Gepatria (Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa), apura a prática de eventuais crimes de organização criminosa, apropriação indébita qualificada, peculato e falsidade ideológica, no âmbito do Hospital Nossa Senhora Aparecida entre os anos de 2018 e 2019, com relativos desvios de recursos públicos, e prática do esquema denominado “rachadinha” ou “funcionário fantasma”.

Atulaização ás 16h40:

Após veiculação da matéria veiculada no UN, o atual assessor parlamentar esclareceu os fatos em que foi citado na investigação do GAECO e GEPATRIA através de no link abaixo:

Assessor parlamentar citado na “Metástase” esclarece que veículo de luxo é da esposa

 

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